Tempestade de Junho

Dedicado ao T.G.

17 de Junho de 2017, Montemor-o-Novo, Portugal

Junho é o mês dos dias grandes e das luas maiores. Já aqui evoquei os luares de Junho no Alentejo e em Lisboa.

Nesta época, aproveito o final do ano escolar e os feriados para ir ao Alentejo, mesmo que seja só por dois ou três dias.

O sábado, dia 17, foi extraordinário: começou com vento forte de sul e nuvens tenebrosas, depois seguido de nortada com outras nuvens também carregadas, até que a meio da tarde deu-se uma calmaria incrível, nem uma palha bulia e o sol atravessava os dois exércitos de nuvens que se enfrentavam no céu… até que a tempestade se levanta: as árvores gemem, as portadas das janelas batem furiosamente nas vidraças, os vasos caem ao chão. Na fotografia acima, são bem visíveis as duas massas de nuvens em choque.

Corro para a rua e vejo os velhos eucaliptos a perderem ramos e folhas, folhas estas que rodam tanto que se elevam no céu num movimento de hélice. Uma hora depois, desencadeia-se a trovoada seca. Corro a buscar a máquina fotográfica e mesmo com uma pequena compacta, consigo registar 9 relâmpagos em 35 minutos, dois deles em duas fotografias consecutivas e um em três fotografias consecutivas.

17 de Junho de 2017, Montemor-o-Novo, Portugal

Nota técnica

Ao reduzir o tamanho das imagens, o processo de amostragem atenua os relâmpagos que são traços muito finos na imagem (com um ou dois pixels de espessura). Para minimizar este efeito, escureci ligeiramente as imagens da galeria para aumentar o contraste entre relâmpagos e nuvens. A luminosidade e côr reais são visíveis na primeira foto que não foi alterada.


Anos antes, no regresso de uma viagem de trabalho a Madrid com T.G., avistámos uma trovoada que corria à nossa frente nas planícies de Castela até chocar com a Sierra de Gredos primeiro e depois a Sierra de Gata. Perseguimo-la durante 3 horas até ao Alto Alentejo e só conseguimos uma única foto  com um relâmpago minúsculo.

Nesta tarde, fiquei maravilhado com a magnificência da força da Natureza, e com a nossa pequenez. Mal sabia eu que, minutos depois e 120km mais a Norte, no coração da Serra da Lousã, esta belíssima fúria dos elementos contribuiria para um dos maiores desastres humanos recentes em Portugal: um incêndio em Pedrogão Grande, que causou a morte a 64 pessoas. Somos mesmo minúsculos e é ela, a Natureza, quem mais ordena.

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