Porque escolhem os ingleses sempre o caminho mais difícil?

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12 de Agosto de 2015, Betanzos, Coruña, Espanha

Encontrei Paul durante o Caminho de Santiago. O caminho inglês.

Paul ensina inglês em Madrid, quer em colégios, onde a procura por boa formação de línguas é imensa, quer em aulas privadas para adultos. E gosta tanto de Espanha que continua lá durante as férias. Em 2014 tinha percorrido o Caminho Português desde Valença até Santiago. Gostou muito da experiência. Gostou tanto que, em 2015, resolveu percorrer o Caminho Inglês que começa em Ferrol e passa por Betanzos num total de cerca de 140km.

E, sem lamentar a escolha, não deixa de sublinhar que uma das idiossincrasias dos seus compatriotas é fazer tudo de hardest way, pois o Caminho Português é mais suave, com melhor piso, mais zonas urbanas, melhores comida e bebidas, tudo factores que atraem caminheiros de todos os países, excepto os ingleses! Esses preferem um caminho espinhoso,  coberto de pedras irregulares e raízes de árvores, atravessando florestas com grandes intervalos entre as etapas restauradoras de força e menos companhia.

Ri-me com gosto, até porque já estávamos perto de Sigüeiro, local da última pernoita antes de chegarmos a Santiago e sabíamos que, para o bem e para o mal, a floresta praticamente tinha acabado e com ela as dificuldades do piso. Dali até à vila eram matas semeadas de pinheiro bravo, cortadas por aceiros rectilíneos com mais de 2 km de extensão. Uma monotonia… Pela primeira vez, os ciclistas que percorriam o caminho a nosso lado me causaram inveja. Nos dias anteriores só me tinham causado pena.

Mas fiquei a ruminar naquelas palavras enquanto ele desfilava exemplos e discorria amenamente sobre as diferenças entre Inglaterra, Espanha e Portugal. Eu limitava-me a deitar uma acha para a fogueira de vez em quando para espevitar o lume e evitar que a conversa morresse.

 

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2 responses to “Porque escolhem os ingleses sempre o caminho mais difícil?

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