Iguaçu

201505_iguacu118 de Maio de 2015, Cataratas del Iguazú, Argentina

Já visitei por três vezes a Foz do Iguaçu. Foi em Maio de 2007, Maio de 2011 e Maio de 2015. Esta periodicidade tão regular explica-se pela participação numa conferência de engenheiros electrotécnicos que ocorre em Maio dos anos ímpares na tríplice fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai. Portanto, falhei as conferências de 2009 e 2013.

Aqui, os aeroportos são uma afirmação de soberania: há 3 aeroportos, um em cada país, distando menos de 30km do aeroporto vizinho. Nenhum chega a 1 milhão de passageiros por ano. Por ser mais flexível para voar para Portugal, só conheço o aeroporto brasileiro.

Em 2007, a conferência era organizada por Brasileiros em Foz do Iguaçu. A cidade é bastante grande – à época, tinha cerca de 250 mil habitantes e mais 150 mil nas cercanias – e tem uma zona central verde e bem cuidada. Não obstante, a periferia mais pobre está quase sempre a pouco mais do que um olhar de distância. Dizem os locais que Foz do Iguaçu se distingue por uma elevada taxa de homicídios e que a maioria dos quais ocorre entre criminosos. Nós não sentimos qualquer intimidação mas é verdade que havia autocarros para encaminhar os conferencistas entre o local da conferência e os diversos hoteis.

Nesse ano, e contra toda a tradição meteorológica, choveu pesadamente no final de Maio e parte dos passeios nas Cataratas foram suspensos por risco de inundação das margens e excesso de corrente no rio. A fotografia a seguir é de 2007 (compare-se a cor e intensidade do caudal na primeira e terceira fotografias):

20070525_iguacu125 de Maio de 2007, Cataratas do Iguaçu, Brasil

Em 2011, a conferência foi organizada por Paraguaios em Ciudad del Este. A diferença para o lado brasileiro é flagrante, começando logo na quantidade de estradas de terra ou mal pavimentadas. Ciudad del Este é muito mais pobre, ainda mais informal e parece viver do contrabando. Fico com a impressão que ser fiscal das finanças tem pouco futuro por aqui. As elevadas taxas aduaneiras que oneram a importação de bens de consumo para o Brasil criam muitas oportunidades de negócio para quem se dispuser a passar a fronteira para um lado e para o outro. Enquanto estivemos na conferência, a polícia brasileira desmantelou pelo menos uma rede de contrabandistas de motocicleta que, entre outras coisas, comprava armas de fogo do lado paraguaio para as entregar em menos de duas horas no lado brasileiro “com caixa de munição incluída”. Nesse ano, eu e o meu colega optámos por ficar a dormir do lado brasileiro e todos os dias atravessávamos de “ônibus” a Ponte da Amizade que liga os dois países. Foi uma experiência animada e sem desventuras a relatar mas não era eficiente: o tempo perdido nos controlos de fronteira e no trânsito custavam-nos mais de uma hora por dia.

Em 2015 a conferência foi organizada no lado argentino. Voltei a viajar com um colega para apresentarmos dois trabalhos e, depois de muitas hesitações – e em vista das experiências anteriores -, optámos por ficar no hotel da conferência, dentro do Parque Nacional Iguazú, em plenas cataratas do Iguaçu.

Logo que se passa a fronteira entre o Brasil e a Argentina, vêem-se armazéns e casinos que são o espelho do que está do lado de lá. Pouco depois, a estrada divide-se, virando à direita para Puerto Iguazú e à esquerda entra pela mata. O nosso taxi acelerou pela floresta e logo desaparecem a maioria dos sinais da presen;a humana até que entrei no Parque Nacional de onde só sairia quatro dias depois, noite fechada, para embarcar num avião às 5h da manhã. Em consequência, não conheço Puerto Iguazú, mas a beleza do Parque compensou certamente esta perda. A melhor aproximação ao quotidiano argentino que tive foram os comboios de visitantes – literalmente, pois há um pequeno comboio que circula no parque – que invadem o trilho a caminho da Garganta do Diabo mesmo defronte da fronteira brasileira (ver a primeira foto). São ruidosos e amigos das festas, da comida e da bebida e menos interessados em embrenhar-se para descobrir os segredos da mata.

As Cataratas de Iguaçu ficam gravadas nas memórias de quem as visita e, a cada nova visita, encontro sempre novos pontos de interesse.

201505_iguacu2

18 de Maio de 2015, Cataratas del Iguazú, Argentina

Se do lado brasileiro se multiplicavam os guaxinins rapinantes que vivem de abordagens mais ou menos amáveis aos turistas, no lado argentino juntam-se-lhes os macacos-prego que são corsários também na vertical. No primeiro dia, pareceu-nos que o aviso do hotel na varanda dos quartos era um exagero: estávamos no terceiro andar! No segundo dia mudámos de opinião: o meu colega recebeu uma visita primata ao pôr do sol e à noite, enquanto jantávamos na varanda do bar, o grupo da mesa do lado foi assaltado durante o chá. Só levaram os bolinhos…

Mas as surpresa ainda não tinham acabado; na última noite tive este encontro imediato junto à piscina:

20150519_iguacu319 de Maio de 2015, Hotel Sheraton Iguazú, Argentina

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One response to “Iguaçu

  1. Pingback: Será que (ainda) preciso de uma reflex? | Almofala·

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