A jornada do talento

2 Abril 2010, Aveiro, Portugal

No dia 26, participei no encontro de inovação COTEC intitulado “The Talent Journey” em inglês embora a grande maioria, senão todos, os participantes percebesse português (1). Os documentos substantivos, podem ser descarregados nos endereços abaixo indicados:

… e felizmente estão escritos em português. A jornada do talento acompanha o curso da vida das pessoas em três etapas e com sete funções principais:

  1. Produção de talento: durante o período formativo, no qual se destaca o papel da escola, dá-se a identificação dos talentos individuais, a que se segue o seu desenvolvimento ligado à escola e organizações formativas (associações, clubes) e acompanhamento (mais ligado à família, pedagogos e psicólogos).
  2. A intermediação e colocação de talento na vida activa que têm o papel de fazer o emparelhamento óptimo das necessidades da sociedade com os talentos disponíveis. Nesta fase, que irá repetir-se na maioria dos casos, há que promover o conhecimento e auto-conhecimento dos talentos aplicados à sociedade e sua afectação, normalmente associada a uma profissão.
  3. A valorização do talento decorre da sua concretização nas actividades e profissões e que deverá ter também associadas práticas de potencialização para actualização, refinamento, prevenção da obsolescência ou selecção de talentos alternativos.

Na discussão que se segue, parto de uma definição simples de talento (o estudo tem outra formulação mais complexa)

Talento é a capacidade de fazer algo bem feito a partir das capacidades pessoais

… e de dois pressupostos, que me parecem reunir consensos amplos:

  1. Todas as pessoas têm talentos.
  2. Os talentos estão distribuídos heterogeneamente pelos indivíduos. Como corolário, deve ser impossível “medir” quem tem mais talento porque a diversidade da sua natureza torna-os incomensuráveis.

Se a estas afirmações consensuais se juntar

  1. o princípio da igualdade de oportunidades na educação (Artigos 73º e 74º da Constituição da República Portuguesa) e
  2. a procura da eficiência económica na afectação de talentos,

… levantam-se perguntas e objectivos práticos contraditórios, pelo menos na sua aparência.

(continua).

Notas

(1)

Uma das características que mais me agradam na COTEC é o facto de os delegados dos três países participantes, Portugal, Espanha e Itália, se entenderem falando cada um na sua língua. Fui testemunha disso no IX Encontro COTEC Europa na Fundação Champallimaud em Lisboa a 12 de Fevereiro de 2014 em que os Chefes de Estado dos três países discursaram sem tradução simultânea. Evitamos assim o lugar comum da gestão que é falar e escrever em inglês por tudo e por nada. Infelizmente regressámos ao inglês para a promoção deste encontro. Será que aumenta o interesse potencial?

20140212_cotecPresidente Giorgio Napolitano no Encontro COTEC Europa
12 Fevereiro 2014, Lisboa, Portugal

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