Tempo de vida útil restante…

DSC_9563 2 de Abril de 2010, Serra da Lapa, Viseu, Portugal

Um dos meus focos de interesse profissional é o tempo de vida útil restante dos equipamentos eléctricos. Todos sabemos que os equipamentos (a que os gestores chamam “activos”) têm um período de amortização, findo o qual têm um valor residual insignificante, ou mesmo zero. Mas quem trabalha nas redes eléctricas sabe muito bem que há numerosos equipamentos em uso muito para lá da amortização contabilística (tipicamente, são 30 anos para os equipamentos das redes rurais). E uma das perguntas que fazemos é: durante quanto mais tempo vale a pena fazer a manutenção destas coisas que valem zero mas prestam bons serviços? Como saberemos que chegou a hora de substituí-los?

Este posto de transformação encontrado na Serra da Lapa é uma dessas memórias do passado. Deve ter sido instalado no final da década de 1960, inícios da década de 1970. Já na altura era obrigatório incluir uma placa de perigo de morte com um telefone de contacto. E esta foi a chapa que encontrei:

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E.H.E.S.E. significa Empresa Hidro-Eléctrica da Serra da Estrela SARL [Sociedade Anónima de Responsabilidade Limitada]. A EHESE foi fundada em Setembro de 1909, nacionalizada  em Abril de 1975 e incorporada no acto de fundação da EDP em 1976.

O pormenor mais curioso desta placa é o número de telefone: se um cidadão testemunhar um acidente relacionado com a linha eléctrica deve telefonar para o nº 12 da rede de Seia! Algo que não existe há décadas.

Voltei a passar pelo local em 2013 e a placa de perigo de morte já tinha sido actualizada. Mas só à beira da estrada! No poste atrás, situado no meio de um pomar, mantém-se a placa “EHESE Tel. 12 SEIA”.

Quanto tempo de vida útil resta a este posto de transformação? Quanto poupamos nas tarifas eléctricas ao sobre-explorar estes equipamentos?

Será uma alegoria para as pessoas que se mantém válidas muito para lá da idade prevista para a reforma ? Quanto poupamos com o trabalho não remunerado dos avós? E dos reformados que vivem por estas serras fora, amanhando a terra ao sol e à chuva, talvez porque não saibam viver de outra forma?

Será que todo o tempo de vida restante é util? Será que velhos só mesmo os trapos?

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